2. Exame Objetivo Geral:
Sinais clínicos:
o Temperatura: normal ou levemente aumentada. Os aumentos leves são observados depois de um processo dolorido ou de um estado de animação. A temperatura alta pode ser observada em caso de órgãos lesados ou em doenças infecciosas (colite, pleuresia, etc..) Frente a presença ou pré estado de choque, este parâmetro desce abaixo do valore respeitado como normal.
o Comportamento: ansiedade geralmente evidente, mudanças constantes de posição e olhar penoso em direção aos lados.
o Coloração das mucosas: esta varia nos seguintes estados: Vermelho brilhante pela vasodilatação no início do choque endotóxico, quando isto progride, as mucosas adquirem uma cor vermelha escura devido a vasoconstrição. Assim mesmo há a possibilidade de modificação na cor das mucosas por traumatismos cefálicos, pelo dor intensa ou pelo processo instaurado que mascare o efeito de endotoxinas.
o Alteração do pelame e pele: deve-se à presença de traumatismos que são vistas nas saliências ósseas (cabeça, cotovelos, carpos, tarsos), ou em parede torácica ou abdominal. São sinais reveladores de dores percebidas.
o Matéria fecal: a presença de alimento deve ser considerada. Em especial frente a: alimentos sem digerir, sangue, parasitos, muco, areia, terra ou elementos estranhos tal como ammarras dos fardos, fios, etc.
o Micção: Deve-se manter em mente a quantidade e qualidade da urina produzida. O anúria - oligúria são indicadores de desidratação severa, de insuficiência renal aguda ou choque. Também é importante a maneira em que é executada a micção, dado que a dor abdominal percebida pelo paciente durante a síndrome cólica, é capaz de acarretar inconvenientes de micção.
o Anorexia: embora este sintoma não seja específico do abdome agudo, pode ser um indicador mais da dor abdominal, obstrução digestiva alta ou de patologias do trato digestivo superior.
o Frequência Respiratória: variável, de acordo com o tipo de cólica e o grau dos sintomas. Pode ser elevada pela dor, na sobrecarga primária ou secundária do estômago ou ainda na falência de órgãos ditos. Em condições de dor extremas, a frequência respiratória pode alcançar níveis de 80 a 100 respirações por minuto, e com olhos muito dilatados.
o Frequência Cardíaca: O aumento é observável no equino com cólica pela ansiedade que esta gera, à dor e a hipovolemia. Quando está acima de 100 por minuto, é relacionada a um prognostico desfavorável
o Pulso arterial periférico: indica o estado do aparelho cardiovascular e a perfusão tissular. Um pulso fraco ou com variações na amplitude do mesmo, reflete uma diminuição na descarga sistólica. Geralmente associa-se um pulso muito fraco a um prognóstico desfavorável.
o Tempo de preenchimento capilar: geralmente está aumentado. Este parâmetro indica uma diminuição na perfusão tissular, geralmente devido a uma hipovolemia, diminuição do volume cardíaco por minuto ou a um aumento da resistência periférica. No cavalo desidratado o tempo de preenchimento capilar é aumentado 3 a 4 segundos e no cavalo severamente desidratado é de 5 a 6 segundos. Se for esticado ou retorcido o lábio superior num animal um desidratado, isso pode prolongar seu tempo. Este tipo de prova é uma variação para a medida da desidratação utilizada por alguns clínicos. Para ela, deve se cronometrar depois de se observar as diferentes membranas. Estas provas mostraram ser um do melhor indicadores da realização da perfusão e da atividade cardiovascular em relação à sobrevida.
o Desidratação: tem importância na apresentação dos sinais clínicos do choque. Devemos considerar o estado das membranas de mucosas (gengiva, conjuntiva entre outros). Os diferentes tipos de luz podem mudar a cor das mucosas de meio leve (especialmente se a luz é de Tungstênio). A desidratação simples produzirá uma cor rosa pálido ligeiramente esbranquiçada. A congestão venosa ou a liberação de endotoxinas, as membranas tornam-se de vermelho a vermelho tijolo. Quando o transporte de oxigênio é limitado, as membranas serão cianóticas. Antes da morte, a perfusão e a hipóxia são dramaticamente reduzidas, portanto as membranas estarão pálido-azul-acinzentado. As membranas túrgidas são indicadoras de boa perfusão.
o Aumento do Hematócrito: o PCV e a proteína total são muito úteis para avaliar a desidratação aguda. Como regra geral, estes parâmetros aumentarão simultaneamente com o aumento da perda de água a nível de sangue e extracelular. Uma disparidade entre a proteína total e PCV pode indicar contração esplênica, isto produz o aumento do PCV sem um aumento simultâneo no nível da proteína. Por outro lado, se a proteína é pouca demais para a desidratação aparente e foi comparada com o PCV, a perda da proteína deve ser considerada. Uma perda rápida da proteína é freqüentemente devido a que a perda é produzida a nível peritoneal devido a infarto intestinal ou a peritonite, e isto é um sinal desfavorável.
O ausência ou presença de barulhos abdominais: a auscultação é feita com o estetoscópio em quatro lugares: as regiões paralombares superior e inferior, esquerda e direita. Os sons serão ouvidos em som alto sobre ambos os lados esquerdos e em cada lado. Os sons típicos do cólon são misturados e são ouvidos por qualquer lado da superfície ventral. O som produzido pela interface e o misturado do gás origina-se freqüentemente do cólon e ceco. O intestino delgado pode estar em movimento sem produzir som e isto é referido à estrutura da parede abdominal externa. Os sons normalmente ouvidos surgem da mistura do alimento com o gás. A amplitude variará notavelmente entre cavalos. Os sons misturados normalmente ocorrerão com regularidade, 2 a 4 vezes durante um minuto. Os sons de progressão serão ouvidos 1 cada 2 ou 4 minutos quando o cavalo não ingeriu alimento recentemente. Com a ingestão, estes sons aumentam em amplitude e frequência e são caracterizadas pela força de propulsão ao longo do intestino, terá que se ouvir um borbulho do lado esquerdo (cólon) e o lado direito (cego) a cada 6 a 10 segundos. Os sons de propulsão podem ser diferenciados dos sons de misturado por seu modelo cíclico, intesidade e duração mais longa. Estes sons são reduzidos ou podem cessar mais tarde com a administração de drogas (atropina, xylazina, butorphanol, e detomidine). Em quase todos os casos abdominais de dor, os sons de propulsão serão reduzidos. Nos casos severos de doença intestinal (estrangulamento com ou sem infarto) o som estará ausente. O peristaltismo no cavalo produzirá as fluências e os sons de interfaces com burbulho de gás e metálico. Estes sons não devem ser mal interpretados, como movimentos progressivos, mas devem indicar melhor a presença de seguimento em estases e de ampliação da parede intestinal, tanto do intestino delgado como da espessura. Raramente os sons aumentados podem ser ouvidos e são chamados como espasmos ou cólico-espasmódicos. Estes sons aumentados podem ser espasmos adequados a isquemia, irritação do parasito, ou a contração contra impactação. Nestes casos, eles estão geralmente associados à dor. A frequência aumentada de sons pode ser ouvida também na resolução do íleo timpânico ou no caso de uma cólica simples. Estes sons são ouvidos depois do processamento, depois de um passeio ou de um retorno espontâneo à normalidade. Freqüentemente o cavalo é visto como deprimido ou ainda cansado mas permanecerá com um descanso confortável durante este período da atividade intestinal aumentada. A areia pode ser ouvida durante os movimentos do cólon que, colocando o estetoscópio no abdome. Este som tem aparência do despejar de areia sobre um montículo de areia e produz um som sibilante sobre os grãos de areia.