RESULTADOS E DISCUSSÃO
Das 08 camas analisadas, 100% encontraram-se infectadas por formas parasitárias. A maior prevalência foi de ovos de helmintos, representando 78% do total das amostras. Dentre estes, ovos do tipo Strongyloidea (56%),
Ascaroidea (32%) e Rhabdiasoidea (12%). Foi encontrada uma porcentagem de 7% de larvas de helmintos, 6% de cistos de Giardia spp, 4% de ovos de Taenia spp, 3% de ácaros adultos e 2% de oocistos de protozoários. No presente trabalho, 60% dos animais apresentaram ovos da superfamília Strongyloidea no exame das fezes. Nenhuma amostra de fezes foi positiva para Strongyloides westeri. Apenas 20% dos animais apresentaram o.p.g. positiva para ovos de grandes estrôngilos e apenas 10% das amostras de fezes estavam infectadas com ovos da superfamília Ascaroidea, correspondendo ao fato de animais adultos adquirirem resistência natural a esse parasito 6, 7 . Em Jaboticabal8 , foi diagnosticada uma prevalência de 73,33% de ovos
do tipo Strongilídeo, coincidindo com os resultados desta pesquisa, onde a maior prevalência foi também de ovos desta superfamília (60%). Em Botucatu 9, essa superfamília foi a mais encontrada. Esses resultados evidenciam a grande prevalência da superfamília Strongyloidea na espécie eqüina. A tabela 1 demonstra o grau de contaminação das camas e das fezes das amostras analisadas. As mesmas foram submetidas ao teste Qui-Quadrado, tendo demonstrado alta significância, ou seja, as camas estavam muito mais parasitadas do que as fezes, demonstrando a importância de seu manejo sanitário por se tratar de potencial fonte de reinfestação.
Tabela 1: Análise estatística dos dados obtidos da correlação entre o grau de contaminação das camas e das fezes das amostras coletadas na hípica da UFSM/Santa Maria-RS/Brasil.
A, b. Na coluna, % seguidas de letras diferentes são significativamente diferentes ao nível especificado acima.
A partir dos dados numéricos encontrados e da estatística utilizada, torna-se clara a contaminação parasitária das camas de eqüinos, ameaçando a saúde e o bem estar dos animais estabulados, bem como de tratadores e demais funcionários de hípicas e criatórios. Animais portadores de vícios de cocheira, como a coprofagia e a lignofagia, são os mais susceptíveis a reinfestações por ingestão de cama contaminada. Os resultados encontrados nos exames coprológicos apresentaram correlação com os encontrados nas camas demonstrando, assim, a possibilidade de contaminação dos animais. Evidencia-se, com isso, a importância do manejo sanitário das cocheiras, no que diz respeito a limpeza diária das camas, evitando que se acumulem dejetos e umidade, minimizando a proliferação de formas parasitárias nas mesmas. Com isso melhora-se as condições de vida dos animais e as condições de trabalho dos funcionários, fato de grande interesse de criadores e administradores de hípicas e criatórios.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. CAVALO.COM.BR Controlando Parasitas em Potros e Cavalos. Ano 2000. http://www.cavalo.com.br/artigos.asp?noticia_id=17
2. GOMES, E. A História Infinita dos Parasitas dos Cavalos. Classificação de Parasitas. Ano 1996.
http://tiscali.it?a_cavalo/artigos/parasitas1.htm
3. MERIAL LTDA. Large Strongyles. Ano 2001. http://us.merial.com/equine/disease_pdf/vteq_lgst.pdf
4. SATHLER, I. Cavalo - O Mais Nobre dos Animais. Ano 1998 - v.101, n°626. http://www.snagricultura.org.br/artigos/artitec-equinos.htm
5. REGINA, S. Parasitas Internos e Externos. http://horseworldbrasil.com.br/vparasitas.htm
6. GEORGI, J. R. - Parasitology for Veterinarians. 370 p. 1980.
7. LEVINE, N. D. - Textbook of Veterinary Parasitology. 390 p. 1978.
8. COSTA, A. J.; BARBOSA, A.F.; MORAES, F.R.; VASCONCELOS, O.T.; ACUNÃ, A.T.; ALMEIDA, M.A.C. Brazilian Journal of Veterinary Parasitology. Agosto 1995 v.4, n°2, suplemento 1. Pg. 114.
9. SARTOR, I.F.; SANTARÉM, V. A.; SOUZA, J.L.G. 1995. v.4, p. 157.
*Toda a análise estatística deste trabalho foi feita utilizando o pacote estatístico SAS for Windows(1997).
1 Trabalho de pesquisa financiado pelo FIPE - UFSM.
2 Doutoranda em Biologia Parasitária, Fundação Oswaldo Cruz. PRPG/UFSM.
3 Acadêmicos do curso de Medicina Veterinária e bolsistas de iniciação científica da UFSM.
4 Professora Doutora, Depto de Medicina Veterinária Preventiva, CCR, UFSM.
5 Professor phD, Depto de Zootecnia, CCR, UFSM.
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