SANTA MARIA - RS/BRASIL

PARASITE FORMS IN EQUINE BEDS - SANTA MARIA - RS/BRAZIL

Vera Regina Albuquerque Lagaggio 2, Luciana Leal Jorge 3, Vinícius Oliveira 3, Maristela Lovato Flores 4, José Henrique da Silva 5.


INTRODUÇÃO

Existem centenas de parasitas internos que atacam os eqüinos. Os animais parasitados podem apresentar fraqueza geral, pelagem áspera, crescimento lento, cólicas e, as vezes, diarréias. 5 Os danos causados por parasitoses em eqüinos vão desde lesões em órgãos vitais do sistema digestivo até graves distúrbios nos processos enzimáticos e hormonais. A parasitologia tem se esforçado em pesquisar a biologia dos principais helmintos próprios dos eqüinos e aperfeiçoar novos fármacos com o fim de minimizar os transtornos clínicos que os mesmos causam. 4 Na fase de disseminação do parasitismo, são eliminados ovos e larvas de helmintos nas fezes. Como inúmeros cavalos passam a maior parte do tempo nas cocheiras, a cama torna-se importante fonte de contaminação, pois oferece ambiente propício à eclosão dos ovos. ² A superfamília Strongyloidea é composta de grandes estrôngilos (Strongylus vulgaris, Strongylus edentatus e Strongylus equinus) que podem causar sérios danos à mucosa intestinal e pequenos estrôngilos, que ficam confinados no trato gastrointestinal tornando o animal suscetível a infecções secundárias. ³ Pequenos estrôngilos não migratórios danificam principalmente o intestino grosso e podem causar cyasthostomiasis de larva sazonal, vistas como diarréias e perda de peso. Os pequenos estrôngilos diminuem a área de superfície saudável do intestino, diminuindo a habilidade do cavalo para absorver alimentos, causando pobre conversão alimentar e condição física. 1 6 Strongyloides westeri, da superfamília Rhabdiasoidea, em seu estado larval, migra pela corrente sangüínea, por pequenos tubos capilares chegando aos pulmões. Ao serem deglutidos chegam ao intestino delgado, em cuja mucosa se aderem vigorosamente.2 Grandes estrôngilos irritam as paredes do intestino delgado e as artérias, na medida em que se aderem às mesmas para ingestão de sangue dos capilares em altas infestações pode ocorrer trombose na artéria mesentérica. ³ Os ascarídeos, ou vermes redondos, são problemáticos em cavalos jovens. As larvas migram pelos pulmões e fígado e amadurecem no intestino. Elas causam síndrome de verão frio e descarga nasal 6 7. Com a coprofagia, os animais, mesmo os everminados, podem sofrer reinfestação através da ingestão de cama infectada com formas parasitárias. A presente pesquisa teve por objetivo descrever as formas parasitárias encontradas em camas de cavalos, bem como atentar para a importância do manejo sanitário das cocheiras, visando o bem estar dos animais e a melhoria das condições de trabalho para tratadores e demais funcionários de hípicas e criatórios.


MATERIAIS E MÉTODOS

Foram coletadas 08 amostras das camas dos cavalos estabulados na hípica da UFSM, sendo uma amostra de cada uma das cocheiras. Cada amostra era composta de 500g de casca de arroz coletadas de vários pontos das camas. Essas amostras foram transportadas em sacos plásticos até o laboratório para sua análise. Essas amostras foram lavadas com uma solução detergente a 10%, em seguida tamizadas e centrifugadas, desprezando-se o sobrenadante. Posteriormente foi adicionado ao sedimento uma solução de Dicromato de Sódio a 1:350 para o processamento do método de centrífugo-flutuação e finalmente observadas em microscopia óptica em 100 e 400x. Foram também coletadas amostras de fezes dos animais hospedados em tais cocheiras. Essas amostras foram submetidas à Técnica de Withlock e Gordon para contagem de ovos por grama de fezes.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Das 08 camas analisadas, 100% encontraram-se infectadas por formas parasitárias. A maior prevalência foi de ovos de helmintos, representando 78% do total das amostras. Dentre estes, ovos do tipo Strongyloidea (56%),
Ascaroidea (32%) e Rhabdiasoidea (12%). Foi encontrada uma porcentagem de 7% de larvas de helmintos, 6% de cistos de Giardia spp, 4% de ovos de Taenia spp, 3% de ácaros adultos e 2% de oocistos de protozoários. No presente trabalho, 60% dos animais apresentaram ovos da superfamília Strongyloidea no exame das fezes. Nenhuma amostra de fezes foi positiva para Strongyloides westeri. Apenas 20% dos animais apresentaram o.p.g. positiva para ovos de grandes estrôngilos e apenas 10% das amostras de fezes estavam infectadas com ovos da superfamília Ascaroidea, correspondendo ao fato de animais adultos adquirirem resistência natural a esse parasito 6, 7 . Em Jaboticabal8 , foi diagnosticada uma prevalência de 73,33% de ovos
do tipo Strongilídeo, coincidindo com os resultados desta pesquisa, onde a maior prevalência foi também de ovos desta superfamília (60%). Em Botucatu 9, essa superfamília foi a mais encontrada. Esses resultados evidenciam a grande prevalência da superfamília Strongyloidea na espécie eqüina. A tabela 1 demonstra o grau de contaminação das camas e das fezes das amostras analisadas. As mesmas foram submetidas ao teste Qui-Quadrado, tendo demonstrado alta significância, ou seja, as camas estavam muito mais parasitadas do que as fezes, demonstrando a importância de seu manejo sanitário por se tratar de potencial fonte de reinfestação.

Tabela 1: Análise estatística dos dados obtidos da correlação entre o grau de contaminação das camas e das fezes das amostras coletadas na hípica da UFSM/Santa Maria-RS/Brasil.
Tabela analise estatistica
A, b. Na coluna, % seguidas de letras diferentes são significativamente diferentes ao nível especificado acima.

A partir dos dados numéricos encontrados e da estatística utilizada, torna-se clara a contaminação parasitária das camas de eqüinos, ameaçando a saúde e o bem estar dos animais estabulados, bem como de tratadores e demais funcionários de hípicas e criatórios. Animais portadores de vícios de cocheira, como a coprofagia e a lignofagia, são os mais susceptíveis a reinfestações por ingestão de cama contaminada. Os resultados encontrados nos exames coprológicos apresentaram correlação com os encontrados nas camas demonstrando, assim, a possibilidade de contaminação dos animais. Evidencia-se, com isso, a importância do manejo sanitário das cocheiras, no que diz respeito a limpeza diária das camas, evitando que se acumulem dejetos e umidade, minimizando a proliferação de formas parasitárias nas mesmas. Com isso melhora-se as condições de vida dos animais e as condições de trabalho dos funcionários, fato de grande interesse de criadores e administradores de hípicas e criatórios.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. CAVALO.COM.BR Controlando Parasitas em Potros e Cavalos. Ano 2000. http://www.cavalo.com.br/artigos.asp?noticia_id=17
2. GOMES, E. A História Infinita dos Parasitas dos Cavalos. Classificação de Parasitas. Ano 1996.
http://tiscali.it?a_cavalo/artigos/parasitas1.htm
3. MERIAL LTDA. Large Strongyles. Ano 2001. http://us.merial.com/equine/disease_pdf/vteq_lgst.pdf
4. SATHLER, I. Cavalo - O Mais Nobre dos Animais. Ano 1998 - v.101, n°626. http://www.snagricultura.org.br/artigos/artitec-equinos.htm
5. REGINA, S. Parasitas Internos e Externos. http://horseworldbrasil.com.br/vparasitas.htm
6. GEORGI, J. R. - Parasitology for Veterinarians. 370 p. 1980.
7. LEVINE, N. D. - Textbook of Veterinary Parasitology. 390 p. 1978.
8. COSTA, A. J.; BARBOSA, A.F.; MORAES, F.R.; VASCONCELOS, O.T.; ACUNÃ, A.T.; ALMEIDA, M.A.C. Brazilian Journal of Veterinary Parasitology. Agosto 1995 v.4, n°2, suplemento 1. Pg. 114.
9. SARTOR, I.F.; SANTARÉM, V. A.; SOUZA, J.L.G. 1995. v.4, p. 157.

*Toda a análise estatística deste trabalho foi feita utilizando o pacote estatístico SAS for Windows(1997).

1 Trabalho de pesquisa financiado pelo FIPE - UFSM.
2 Doutoranda em Biologia Parasitária, Fundação Oswaldo Cruz. PRPG/UFSM.
3 Acadêmicos do curso de Medicina Veterinária e bolsistas de iniciação científica da UFSM.
4 Professora Doutora, Depto de Medicina Veterinária Preventiva, CCR, UFSM.
5 Professor phD, Depto de Zootecnia, CCR, UFSM.

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