
Polifenóis
Os polifenóis são estruturas químicas muito variadas presentes em todos os organismos vegetais superiores (raízes, folhas, caules, frutos). Atualmente são conhecidas mais de 8000 estruturas21. Elas intervêm na pigmentação, crescimento, reprodução e resistência das plantas contra as doenças3. Existem os polifenóis flavonóides e não-flavonóldes. Os flavonóides representam a maior família e são as estruturas básicas dos taninos ou pró-antacianidinas3. Os taninos e seus flavonóides são os mais conhecidos na alimentação. Os polifenóis têm uma função importante na cervejaria, enologia e nas conservas, influenciando o aspecto e o sabor de várias bebidas e alimentos. Eles são utilizados como antioxidantes naturais, antivirais, bactericidas e anti-enzimáticos.
Sob o aspecto digestivo a absorção e o metabolismo dos fenóis alimentares são determinados por sua estrutura química e peso molecular; entretanto o principal órgão implicado no metabolismo dos polifenóis é o fígado3. Os metabólitos são secretados na bile (ciclo entero-hepático) e na urina
PODER ANTI-RADICALAR
Considerados durante muito tempo como anti-nutrientes, o interesse nutricional dos polifenóis é hoje, graças ao "paradoxo françês", amplamente utilizado. Estudos epidemiológicos demonstram uma correlação positiva entre um consumo moderado de vinho tinto e uma menor incidência de doenças cardiovasculares em seres humanos graças a uma dieta alimentar rica em gorduras saturadas.
O resveratrol e seus derivados, os polifenóis não-flavonóides contidos na casca da uva, agem sobre o "mau colesterol" ou LDL (Low Density Lipoproteins)20. Em caso de falta de vitaminas C ou E ou um teor elevado de LDL, os LDL se oxidam e são fagocitados pelos macrófagos, que se depositam sobre as paredes vasculares causando problemas cardiovasculares. Por outro lado, os carnívoros domésticos raramente são afetados pois eles apresentam um elevado teor plasmático de "bom colesterol" ou HDL (High Density Lipoproteins).
Entretanto, o poder antioxidante dos polifenóis tem uma função primordial na proteção da célula submetida a um stress.
Alguns polifenóis não flavonóides da uva, principalmente o resveratrol, apresentam um poder antioxidante 20 a 50 vezes superior ao da vitamina E (figura 1)23

Como captadores de radicais livres e quelantes de ferro eles se opôem aos fenômenos de oxidação dos lipídeos celulares, protegendo as membranas e mantendo sua fluidez19.
Assim, o poder hepatoprotetor dos polifenóis da uva foram evidenciados em animais 13, 17, 19
Vários polifenóis inibem in vitro a peroxidacão de lipidios do cristalino, responsável pela catarata13.

Olho com catarata
A proteçao antioxidante é dada pela captura direta dos radicais livres, redução da atividade das enzimas oxidativas, diminuição da concentração de lipídios peroxidados no plasma e quelação de moléculas de cobre e ferro3.
Figura 1 : Taxa de inibição da oxidação de LDL pelos polifenóis do vinho tinto, vitamina C e
vitamina E23
A função protetora dos polifenóis contra a oxidação também se estende ao DNA das células, o que permite prevenir alterações genômicas e algumas mutações responsáveis pela carcinogênese3'13. Desta forma os polifenóis da uva retardam o desenvolvimento de cânceres espontâneos 4.
Foi evidenciada sua capacidade de estimular o reparo do DNA em seguida a uma agressão oxidan te, potencialmente mutagênica. Verificou-se a capacidade dos polifenóis presentes no chá verde em limitar o crescimento de cânceres bem como de metástases em animais 11.
Como os polifenóis limitam a formação e o desenvolvimento de cânceres?
* Inibição da formação de carcinógenos a partir de pró-carcinógenos22
* Contribuição da conjugação e eliminação de carcinógenos
* Formação de complexos inativos com alguns carcinógenos
* Reparo do DNA danificado por mutagênese oxidante21.
Os polifenóis evitam a formação de tumores de pele através da inibição de duas enzimas que estimulam a multiplicação das células cancerosas e reduzem a incidência da carcinogênese na cavidade oral e no intestino 13,16.
As propriedades estrogênicas de alguns polifenóis podem limitar o desenvolvimento de cânceres hormônio-dependentes como os das glândulas mamárias.
Estes cânceres representam de 25 a 50 % dos tumores em cadelas10.
POLIFENÓIS e SAÚDE BUCAL
O desenvolvimento da placa bacteriana é a causa de doenças gengivais extremamente frequentes nos cães, particularmente em cães de pequeno porte e idosos9. Neste sentido foram evidenciadas a influência da composição e consistência da dieta8.
Os polifenóis do chá verde inibem a atividade da colagenase das bactérias bucais, um dos fatores mais patogênicos nas afecções periodontais7,18. Por outro lado, a desativação das colagenases diminui a formação da placa bacteriana por inibição da adsorção das bactérias.
Além disso, os polifenóis diminuem a incidência de cânceres da cavidade oral16'18. A incorporação dos polifenóis na dieta fornece condições ideais para a manutenção da higiene bucal em cães idosos.
POLIFENÓIS e PROTEÇÃO VASCULAR
Alguns polifenóis não-flavonóides, dentre eles o resveratrol, fluidificam o sangue. Eles penetram nas plaquetas inibindo a adesão, agregação e suas secreções.
Os polifenóis também diminuem a permeabilldade dos vasos capilares inibindo a secreção de histamina6. Eles diminuem as re-ações inflamatórias. As pró-antocianidinas ou polímeros de flavonóides protegem a vitamina C2,6,14, elas apresentam um efeito trófico sobre o tecido conjuntivo perivascular e potencializam os efeitos da vitamina C implicada na síntese de colágeno, onde formam pontes entre as fibras aumentando sua resistência e elasticidade e inibem a atividade da colagenase, enzima implicada na fragmentação do colágeno.
O poder protetor e tônico vascular dos polifenóis faz com que ele seja empregado na sintomatologia da hemorróida, fragilidade capilar e insuficiência venosa.

POLIFENÓIS ou ANTI-NUTRIENTES
Os polifenóis interagem com as proteínas, peptídeos ou minerais, modificam a biodisponibilidade dos nutrientes presentes no alimento e alguns apresentam uma atividade pró-oxidante. Entretanto, o pequeno efeito inibidor dos compostos polifenólicos sobre a reabsorção do ferro não tem influência significativa sobre a quantidade de ferro disponível no organismo 5.
Os polifenóis também afetam pouco a reabsorção de manganês e sua biodisponibilidade nas bebidas ricas em polifenóis (chá e vinho) é alta.
O efeito antioxidante dos polifenóis compreende a inibição da reabsorção de ferro, cobre, zinco e manganês3.
Além disso, os polifenóis apresentam um efeito bifidogênico sobre a flora intestinal de seres humanos. Eles estimulam o desenvol-vimento da flora benéfica e diminuem a proliferação de germes patogênicos (Clostrídio)1,12
CONCLUSÃO
Os polifenóis possuem atividade antimutagênica, hepatoprotetora, antitumoral, hipolipidemiante, antioxidante e descongestionante. Eles inibem a aderência e o crescimento das principais bactérias implicadas na formação da placa bacteriana e contribuem para a saúde bucal 7,15.
Os efeitos benéficos dos polifenóis no desenvolvimento de cânceres, no combate à placa bacteriana, na progressão da catarata e nos fenômenos vasculares inerentes ao envelhecimento fazem com que sua incorporação na dieta seja interessante, principalmente para os cães de raças pequenas, cuja maior expectativa de vida os tornam mais vulneráveis aos efeitos do envelhecimento celular.
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Artigo extraido do Informativo Científico - Royal Canin - www.royal-canin.com.br
Autorização para publicação: Royal Canin