Técnicas cirúrgicas indicadas

O método primário para tratar os tumores de mama em cadelas e gatas é a mastectomia; porém, as taxas de cura ainda são baixas para pacientes com mamopatia maligna, pois é o comportamento do tumor, e não a extensão do tratamento, o que deter-mina o destino final do paciente (HARVEY 1996).

A quantidade de tecido mamário a ser removida durante a mastecComia em unia cadela ou em uma gata é influenciada por vários fatores, incluindo o tamanho, a consistência e a localização do tumor, e o porte, a idade e o estado fisiológico do paciente (HARVEY,
1996).

O'KEEFE (1997), McCAW (1996) e JOHNSTON (1998) citam e definem vários tipos de mastectomia:
* lumpectomia (nodulectomia) - remoção do tumor sem qualquer tecido mamário circundante. Utilizase a lumpectomia quando o tumor é pequeno, encapsulado e não invasivo;
* mastectomia parcial remoção do tumor e de uma margem circundante de tecido mamário. É indicado para tumores pequenos ou moderados em tamanho (2 cm de diâmetro) e que ocupam somente uma porção de uma glândula mamária individual;
* mastectomia simples - remoção de toda a glândula mamária que contém o tumor;
* mastectomia regional (mastectomia radical modificada) remoção de grupo(s) de glândulas mamárias, dependendo de qual(is) contenha(m) tumor(es);
* mastectomia unilateral completa (mastectomia radical) - remoção de todas as glândulas mamárias, tecidos interpostos e linfonodos regionais do mesmo antimero;
* mastectomia bilateral completa e simultânea (mastectomia radical bilateral) - remoção de ambas as cadeias mamárias inteiras, dos tecidos interpostos e dos linfonodos regionais.

Segundo WITHROW e O'BRIEN (1997), nas gatas, a mastectomia unilateral completa é o procedimento de eleição para todos os tumores mamários, pois a maioria desses tumores nos felinos é maligna.

A cirurgia permanece sendo a mais importante terapia para a maioria dos tumores mamários sólidos (LOAR, 1992).

O autor cita, ainda, a quimioterapia e a radioterapia como condutas terapêuticas, mas reforça que o procedimento cirúrgico é o tratamento de escolha para os tumores mamários sem característica de afecção metastática ou de carcinoma metastático.

O padrão de excisão cirúrgica é baseado na drenagem linfática e deve ser aceito o seguinte princípio: sempre que houver neoplasia, a glândula afetada deve ser removida com todas as glândulas existentes entre ela e o nódulo linfático receptor (HICKMAN e WALKER 1983).

A técnica básica para a mastectomia segue a remoção de um segmento cutâneo, que engloba a(s) glândula(s) mamária(s) afetada(s), através de uma incisão elíptica ao redor da(s) glândula(s) a ser(em) removida(s) (BERGE,1978; HICKMAN e WALKLR, 1983; McCAW, 1996).

O tipo histológico da neoplasia é o fator que influencia o prognóstico, assim como o diâmetro do tumor, o grau de invasibilidade, a diferenciação celular, o envolvimento dos linfonodos e a reatividade linfóide. Já a idade do paciente, o número de tumores presente, a localização do tumor, o tipo de cirurgia e ovário-histerectomia simultânea à mastectomia são fatores que aparentemente não alteram o prognóstico (O' KEEFE, 1997).

Dependendo da experiência, da habilidade do cirurgião e, muitas vezes, da localização e extensão da neoplasia, a incisão praticada em forma de elipse, circundando a neoplasia, deixa defeitos cutâneos ("orelhas", dobras ou rugas cutâneas) nas extremidades da incisão, ocasionando uma oclusão menos estética (SWAIM, 1998).

Segundo SWAIM (1998), a plastia em duplo "M" que pode ser considerada também como duplo "V", reduz o comprimento da excisão e a quantidade de tecido removido comparada à excisão fusiforme, permitindo, ainda, uma oclusão mais estética.
HENDERSON (1980) usou a plástica em "V" para reparar o defeito da pele deixado pela mastectomia bilateral de glândulas torácicas; tal defeito, após suturado, assume a forma de "Y". O mesmo autor afirma que tal técnica diminui a tensão da sutura e permite uma oclusão esteticamente melhor

A plastia que emprega a técnica de duplo "M" ou "V" na mastectomia em cadelas, por ser considerada simples, pode ser utilizada como opção de tratamento cirúrgico.

Na avaliação desta técnica operatória observa-se que a incisão da pele é bastante prática pela facilidade de sua execução, haja vista que a região incisada é topograficamente plana. O tempo utilizado para realizar a incisão é superior ao de urna incisão elíptica, já que a incisão por completo consta de quatro pequenas incisões a mais.

A quantidade de tecido excisado é menor, uma vez que o tecido em forma de "V" é preservado pela técnica (JOHNSTON, 1998). Como preservar o tecido implica menor formação de espaço morto, consequentemente, diminui-se a formação de edemas e seromas, promovendo uma melhor cicatrização (HENDERSON, 1980).

A estética na oclusão da ferida pode ser considerada boa, haja vista a ausência de formação de defeitos cutâneos nas extremidades, conforme menciona HENDERSON (1980).

Conforme citam SWAIM (1998), HARVEY (1996) e HENDERSON (1980), quanto menor a tensão, melhor a cicatrização e esta técnica, que mantém o tecido em forma de "V", divide a tensão entre as bordas (principalmente a das extremidades), diminuindo-a no momento da dermorrafia, promovendo, consequentemente, melhor cicatrização.

Na oclusão da ferida operatória, observa-se a eliminação de defeitos de oclusão ("orelhas", dobras ou rugas cutúneas), principalmente nas extremidades, conforme relatou SWAIM (1998), podendo, desta forma, esta técnica ser praticada por cirurgiões menos experientes, sendo, consequentemente, uma vantagem na sua indicação.

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