Doenças mais comuns
Virais:
Influenza: é uma zoonose, podendo ser transmitida ao homem, porém, é mais comum ser transmitida do homem para o ferret. A influenza é uma doença do trato respiratório alto, podendo levar o animal à anorexia, com febre alta, corrimento nasal, espirros, tosse e conjuntivite. Em alguns casos o animal pode ser acometido por uma otite purulenta. Essa enfermidade se manifesta de forma mais grave nos animais mais jovens, podendo levar a uma pneumonia bacteriana secundária.
Tratamento: o animal deve ser internado devido à dificuldade que os proprietários relatam em administrar medicamentos. A hidratação é muito importante, utilizando Gatorade* ou Pedialyte* que são mais palataveis ao ferret. A alimentação também é muito importante, sendo que, em casos mais graves, recomenda-se a alimentação parenteral. Para tosse e espirros constantes deve-se utilizar um anti-histamínico.
Caso não exista uma infecção secundária por bactérias, não há necessidade da utilização de antibióticos.
Cinomose: doença que acomete os canídeos. É muito grave para o ferret, sendo que o óbito ocorre em 100% dos casos.
A sintomatologia é a mesma apresentada em cães, com acometimento respiratório, gastro-entérico e do sistema nervoso. A hiperqueratose que aparece em alguns cães acometidos pela cinomose também pode aparecer nos ferrets.
Raiva: a mortalidade é de 100%, sendo os sintomas os mesmos que acometem os cães. A vacinação é obrigatória.
Doença Aleutiana: a doença aleutiana é causada por cepas de um parvovírus e transmitida através do contato direto ou de fomites contaminados com fluido corporal infectado.
O período de incubação pode atingir até 200 dias.
Os sinais clínicos são extremamente variáveis e incluem paresia posterior, paresia anterior com emaciação, fezes escuras, letargia e incontinência urinária. A anorexia não é observada. Pode ocorrer, também, uma edemaciação lenta sem sinais neurológicos.
Não existe tratamento. A eutanásia é recomendada em todos os animais que apresentam sintomatologia clínica.
Bacterianas:
Enterites, gastrites (helicobacter), pneumonias, cistites e etc. Devem ser tratadas com antibióticos de acordo com o agente etiológico, além da medicação de suporte.
Doenças gerais:
Os ferrets podem ser acometidos por sarna sarcóptica, otodécica, pulicilose, dermatites, doenças fúngicas e outras comuns aos cães e gatos. Para a pulicilose, podemos utilizar o Frontline.
O prolapso de reto pode aparecer devido a uma alimentação inadequada. Deve-se manter a porção prolapsada limpa, descobrindo e corrigindo a causa. Em casos mais severos, a intervenção cirúrgica é indicada.
A perda de pêlos, sem alopecia, pode ser considerada normal em estações mais quentes do ano. Porém, os ferrets costumam apresentar queda de pêlos devido ao stress.
Neoplasias:
As neoplasias costumam acometer os ferrets entre 4 e 7 anos de idade. Os adenomas, insulinomas, linfomas e adenocarcinomas gástricos são os mais comuns.
Insulinomas: os tumores das células beta pancreáticas chegam a acometer 30% dos ferrets com mais de três anos. Observa-se letargia, depressão, olhar infinito, paresia posterior. O animal pode chegar ao coma com a progressão da doença. A hipersalivação e a náusea (fricção da boca com as patas) também podem aparecer.
Tratamento: por ser uma doença progressiva, exige monitoramento constante. A cirurgia de remoção é somente paliativa. Deve-se evitar alimentos com excesso de açúcar e administrar 1/8 a 1/4 de colher das de chá de levedura de cerveja a cada 12 horas.
Em casos mais avançados, administrar prednisolona (0,25 a 1,0 mg/kg ao dia, divididos em duas tomadas, elevando até 4,0 mg/kg ao dia.
Para hipoglicemia: utilizar mel na gengiva e oferecer alimentação rica em proteínas.
Parasitas Internos:
Apesar de serem mais raros, os parasitas internos mais comuns são o Toxocara, o Dipilydium, e a Dirofilária. Sendo o seu tratamento o mesmo que o empregado em cães, podendo tratar com praziquantel, pirantel e febantel o Toxocara e o Dipilidium e utilizar Cardomec* como preventivo para a Dirofilária.
A coccidiose também costuma acometer os ferrets.

Doença Adrenal:
A disfunção da glândula adrenal se manifesta de forma diferente daquela comumente vista nos cães e gatos. A Síndrome de Cushing não é visualizada, não havendo aumento dos hormônios sexuais.
Sintomas: Há uma alopecia simétrica bilateral e progressiva, iniciando sempre na ponta da cauda, progredindo cranialmente e causando atrofia dos folículos pilosos. Nas fêmeas há uma aumento vulvar seguido de um corrimento mucóide. Observa-se prostração, o abdomen se apresenta pendular, há o surgimento de ginecomastia, atrofia muscular e prurido intenso. Os machos costumam ficar agressivos.
Diagnóstico: é realizado principalmente através dos sintomas clínicos.O hemograma demonstra anemia arregenerativa, trombocitopenia. O teste de estimulação hormonal pode ser realizado, mas ainda não há padrões bem estabelecidos.
Tratamento: adrenalectomia uni/bilateral. Tratamento medicamentoso: Mitotane - 50 mg PO, sid/ por 1 semana e depois a cada 3 dias. Acetato de leuprolida 500 mcg/mês.
Anestesia:
A anestesia no ferret deve ser preferencialmente inalatória, com a utilização de máscara. O jejun deve ser de no máximo 4 horas, devido ao seu alto metabolismo. O acesso venoso deve ser mantido e a temperatura deve ser bem controlada, sendo o aquecimento (colchão térmico) primordial.
Drogas injetáveis:
- Acepromazina - 0,1 - 0,5 mg/kg IM, SC
- Ketamina (25 - 35 mg/kg) + Acepromazina (0,2 - 0,3 mg/kg) IM, SC - Somente para intervenções menores
- Ketamina (10 - 20 mg/kg) + Diazepan (1,0 - 2,0 mg/kg) IM - Somente para intervenções menores
- Ketamina (10 - 25 mg/kg) + Xilazina* (1,0 a 2,0 mg/kg) IM - Somente para intervenções menores
* Não utilizar xilazina em ferrets que estejam apresentando enfermidades
Drogas Mais Comuns e Doses
· Acepromazina - 0,2 a 0,5 mg/kg
. Acido Acetil Salicilico - 0,5 a 22 mg/kg cada 8 a 24 h
· Cetoconazol - 5-10 mg/kg bid, PO
. Cloranfenicol - 50 mg/kg bid - IV, SC, IM, PO
· Digoxina- 0,01 mg/kg bid, PO
· Furosemida - 2,5 a 4 mg/kg bid, IM, PO
· Griseofulvina - 25 mg/kg sid, PO
· Ivermectina - 0,4 mg/kg, SC ou PO, repetir a dose após 2 a 4 semanas.
· Quetamina - 10 a 20 mg/kg
* Demais drogas: Utilizar as mesmas doses utilizadas para os gatos.
Referências
- BICHARD - SHERDING -Manual Saunders, Clínica de Pequenos Animais, 1998, p.1472 - 1502
- ROBERT W. KIRK - Atualização Terapêutica Veterinária - Pequenos Animais, vol. 2/2, p.972 - 976
Internet:
- FERRET CENTRAL - http://www.ferretcentral.org
- FERRET NET - http://www.ferret.net
- http://www.afip.org/ferrets
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