I- ANATOMIA DO SEXO FEMININO
O sistema reprodutivo da fêmea consiste de dois ovários, dois ovidutos, útero, vagina e vulva (Fig.1). As glândulas mamárias são uma parte importante do sistema reprodutivo, porém não serão descritas neste trabalho.
1.1- Ovários
Os ovários são glândulas pares que contribuem com o desenvolvimento dos oócitos e produção de hormônios. Cada ovário é localizado caudal ao rim direito e esquerdo, respectivamente, e suspenso à parede dorsal do abdômen por uma reflexão do peritônico, o mesovário. O mesovário é parte do ligamento largo; um termo que inclusive também se refere ao suspensor dos ovidutos (mesossalpinge) e útero (mesométrico). A disposição pendular dos ovários proporciona facilidade na manipulação por palpação retal na vaca e na égua. Os ovários são descritos em diversas espécies como estruturas em forma de amêndoa e como estruturas semelhantes ao feijão na égua. Na porca o ovário lembra um cacho de uva devido ao grande número de folículos na sua superfície. A ovulação ocorre ao longo de toda superfície do ovário em muitas espécies, mas é confinada a uma fossa de ovulação na égua; isto favorece seu formato de feijão.
O ovário possui um córtex externo e uma medula interna. A medula émais vascular, enquanto a maior parte do córtex consiste de tecido conjuntivo que forma o estroma. A camada mais externa do córtex é uma cápsula densa de tecido conjuntivo, conhecida como túnica albugínea. Devido à densidade do estroma, os ovários parecem firmes quando palpados. A forma mais precoce do óvulo em vários estágios de desenvolvimento estão intercalados no córtex.
Durante a vida fetal a superfície externa do ovário está coberta pelo epitélio germinativo. Enquanto o feto se desenvolve, os óvulos primordiais diferenciam-se do epitélio germinativo e migram para o inferior da substância do córtex ovariano. Os óvulos primordiais continuam a se desenvolver no ovário fetal pelas divisões mióticas; grande número é produzido durante esse momento. O desenvolvimento progride até a prófase da primeira divisão meiótica e então paralisa-se nesse estágio.
Os processos pelos quais o óvulo é formado são conhecidos como oogênese respectivamente. Enquanto quatro espermatozóides são formados de um espermatócito, somente um óvulo se desenvolve da divisão de um oócito primário. Três corpúsculos polares desenvolvem-se no lugar de óvulos e apresentam grande redução em seu material citoplasmático. Ocorre considerável degeneração de muitos óvulos primordiais no nascimento; aqueles que se mantém são o reservatório de desenvolvimento de óvulos férteis, que amadurecem a partir da puberdade. Ao nascimento, cada óvulo primordial coleciona ao seu redor uma camada de células do epitélio e são conhecidas como células da granulosa. O oócito, rodeado por uma camada simples de células da granulosa, é chamado de folículo primordial. Os folículos primordiais estão localizados, no nascimento, na periferia da zona cortical, abaixo da túnica albugínea e próximos à medula vascular. A degeneração dos folículos primordiais continua até a puberdade e ao longo da vida produtiva da fêmea. No final da vida reprodutiva da fêmea somente uns poucos folículos primordiais mantêm-se nos ovários, e mesmo esses degeneram-se mais tarde.
Os ovários e ovidutos recebem seu suprimento sangüíneo da artéria ovariana e a vagina recebe seu suprimento sangüíneo da artéria vaginal. Para o útero, o principal suprimento sangüíneo chega pela artéria uterina. A porção cranial do útero é também irrigada pela artéria ovariana e a porção caudal recebe sangue da artéria vaginal.
Durante a gestação o suprimento sangüíneo para o útero aumenta dramaticamente. Quando a artéria uterina é palpada pode-se sentir uma vibração de sangue em seu interior. Isso é chamado fêmito, e é considerado um bom indicador de prenhez. A artéria ovariana é espirada e adere intimamente à veia uterina. Tal arranjo é importante para a difusão do hormônio prostaglandina da veia uterina para a artéria ovariana em algumas espécies (por ex. a vaca e ovelha - talvez outras). Seu transporte através desse arranjo evita a circulação geral, onde a maior parte da PGF2a seria inativada nos pulmões. A produção necessária é menor porque a maior parte da PGF2a produzida dirige-se somente para o órgão alvo (ovário) e evitar a circulação geral para todas as partes do corpo. A PGF2a nos ovários inicia a luteólise (degeneração do corpo lúteo).
1.2- Trompas Uterinas
As trompas uterinas são também chamadas de ovidutos ou trompas de Falópio. Elas são um par de tubos enovelados que conduzem os óvulos dos ovários para o respectivo corno do útero. As trompas uterinas servem como local de fertilização pelo espermatozóide do óvulo liberado nas espécies domésticas. A porção da trompa adjacente ao seu respectivo ovário expande-se para formar o infundíbulo e as fímbrias que se projetam de sua extremidade livre. As fímbrias auxiliam a direcionar o óvulo para o interior do infundíbulo no momento da ovulação.
O lúmem dos ovidutos é revestido por células secretórias e ciliadas. Essas células fornecem ambiente para os óvulos e transporte para os espermatozóides. No interior das paredes das trompas uterinas está localizada a musculatura lisa, tanto longitudinal quanto circular, as quais auxiliam no transporte de óvulos e esperma através de suas contrações. A cobertura serosa das trompas uterinas é conhecida como mesossalpinge, que é uma continuação do mesovário e parte do ligamento largo (que fornece sustentação para a genitalia interna).
1.3- Útero
O útero fornece um local para o desenvolvimento do feto, se houver fertilização. O útero consiste de um corpo, uma cérvix (colo) e dois cornos. As proporções relativas do corpo, corno e cérvix variam entre as espécies. O corpo é grande na égua, menor na vaca e na ovelha e pequeno na porca e cadela.
A membrana mucosa que delimita o interior do útero (endométrio) é altamente glandular. As glândulas estão distribuídas ao longo de todo o endométrio, exceto nos ruminantes, onde as carúnculas são glandulares.
O endométrio varia em espessura e vascularização com as alterações hormonais nos ovários e com a prenhez. A secreção glandular do endométrio fornece nutrientes ao embrião antes da placentação, após o que a nutrição passa a ser feita pelo sangue materno.
A cérvix projeta-se caudalmente para o interior da vagina. Esse esfíncter poderoso da musculatura lisa está hermeticamente fechado exceto durante o estro e parto. O muco presente no estro é a secreção de células colunares cervicais. A secreção de muco das células colunares durante a prenhez e seu fluxo para o exterior previne que material infectivo penetre na vagina.
O miométrio é a porção muscular do útero, composto de células musculares lisas. O miométrio hipertrofia-se durante a prenhez, aumentando tanto o número de células como seu tamanho. A principal função do miométrio é auxiliar na expulsão do feto no momento do parto.
A serosa que cobre o útero é continua à mosossalpinge; no útero, é conhecido como mesométrio. O mesométrio fornece um suporte suspensório, particularmente para o útero não-gravídico. O útero grávido aumenta de volume e maior suporte é fornecido pela parede abdominal.
1.4- Vagina
A vagina é porção do canal do parto localizada no interior da pelve, entre o útero (cranialmente) e a vulva (caudalmente). A vagina atua como uma bainha para o pênis do macho durante a cópula. Ela é delimitada inteiramente por epitélio estratificado escamoso, que é glandular. O fórnix é o espaço formado cranialmente à projeção da cérvix para o interior da vagina. Em alguns animais o fórnix só é visível dorsalmente, enquanto em outros ele pode circundar completamente a cérvix ou estar ausente (como nos suínos).
1.6 - Vulva
A vulva é a porção caudal da genitália feminina, que se estende da vagina para o exterior. O orifício uretral externo delimita o ponto de junção entre a vagina e a vulva. O vestíbulo da vagina é normalmente considerado como uma parte da vulva. Ele é a porção tubular da genitália entre a vagina e os lábios da vulva. O clitóris está encoberto pela porção inferior da vulva. O clitôris é composto de tecido erétil e terminações nervosas sensoriais. Aparte externa da vulva é sua abertura vertical, os lábios.